Em Brasil x Argentina não existe imparcialidade

Copa América 2004: Adriano Imperador empatou quando restava 30 segundos para o fim da partida

Copa América 2004: Adriano Imperador empatou quando restava 30 segundos para o fim da partida

Perdoem-me os puritanos, aqueles cronistas esportivos que dizem não possuir time de coração, como se tentando separar o corpo da alma, porque no Brasil, quando nascemos, antes mesmo de sermos registrados em cartório, o futebol já pulsa dentro de nós. Quando o assunto é Brasil versus Argentina, então, não há jornalista, blogueiro, cronista, comentarista, ex-jogador, narrador que são capazes de sustentar a tese da imparcialidade.

 

Argentina x Brasil na Copa de 78: jogo duro, violento, que entrou para a história como “A Batalha de Rosário”

Argentina x Brasil na Copa de 78: jogo duro, violento, que entrou para a história como “A Batalha de Rosário”

Nem o corporativismo das opiniões arraigado nos jornalistas esportivos, que todos os dias carregam a pedra de Sísifo em busca de estabelecer a Verdade, conseguem esconder que Brasil e Argentina faz emergir todos os sentimentos que os levaram a trabalhar com futebol.

Entenda a parcialidade como torcer descaradamente, não como uma apologia à distorção dos fatos. Não se defende o gol de mão de Tulio Maravilha contra os portenhos, nem ficaremos na expectativa por um pênalti roubado ou um gol impedido, mas, fingir indiferença num Brasil e Argentina? Isso não tem jeito.

Com as experiências da vida, pode-se até dissimular em algumas situações, mas, diante de um Brasil e Argentina é impossível posar de indiferente, e a gente se reveste de verde-e-amarelo nem que seja nas cores da cueca.

Esse, que para mim é o maior clássico mundial, considerando o equilíbrio absurdo entre vitórias e derrotas entre as seleções, mas sobretudo a atmosfera e os sentimentos inexplicáveis que se propagam nos casos de vitória, tem a capacidade de impregnar imagens que projetamos para o resto de nossas vidas.

Um exemplo?

Não dá para excluir da memória – nem da alma – aquela final de Copa América, em 2004, no Peru, em que Brasil e Argentina empatavam em 1 a 1 até os 42 minutos do segundo tempo, quando Delgado aproveitou um vacilo brasileiro fez o segundo, definhou nossos sonhos, tirando a nossa voz, fazendo-nos engolir a azeitona das empadinhas.

Quando tudo parecida decidido, com argentinos catimbando, passando o pé sobre a bola, tirando-nos sarro, eis que os espíritos dos clássicos se manifestaram. Restando 30 segundos para o relógio bater os 48 e encerrar a partida, lançaram uma bola na área, Luis Fabiano disputou no meio dos zaguerios, a bola sobrou para Adriano Imperador, que dominou, girou e enfiou o pé para romper o goleiro Abbondanzieri, empatar e levar a partida para os pênaltis.

E como todo Brasil x Argentina, para um lado ou para outro, nasce para tragédia, o goleiro Julio César defendeu os pênaltis de D´Alessandro e viu Heinze chutar nas alturas e, assim, o Brasil, levantar a taça, de uma forma que não se explica com a ciência, nem com estatísticas, nem com recursos eletrônicos.

 Muita gente não gosta do Galvão. Eu gosto, principalmente quando ele fala em rede nacional: “ganhar é muito bom, mas ganhar da Argentina é muuuito melhor”, como se numa voz de 200 milhões de pessoas mandando um recado para nossos “Hermanos”. Um troco diante do chiste na capa do Olé em que estamparam “Decime qué se siete”, depois de nossa ruína, no mesmo Mineirão de hoje à noite.

 

Capa do argentino Olé com nossos eternos 7 a 1

Capa do argentino Olé com nossos eternos 7 a 1

Como disse o Mestre Nelson Rodrigues, na crônica “Ai de nós”, “creia o leitor: – nas profundezas do cronista, ruge uma paixão imensa. Na hora do gol, nós, da tribuna de imprensa, só faltamos subir pelas paredes como uma lagartixa profissional. A meu ver, isso é a honestidade. Nada mais puro do que o sentimento sincero que leva a dar comoventes urros.”

O que dizer da partida de hoje, às 21h45, no Mineirão, entre Brasil e Argentina, em nosso estádio mito da caverna, dos 7 a 1 da Alemanha, quando descobrimos que nosso mundo das ideias da bola não correspondiam com o que se projetava em nossa mente?

Como todas as horas e horas de discussões, informações, notícias e análises se dissolvem no ar quando chega o momento dos palpites, em que a crônica nunca consegue prever o futuro, também não deixarei de expor o meu: 3 a 1 para nós! (rs).

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