Audax-Diniz gira e o São Paulo cai na estreia do Paulistão

Apesar de ter encontrado dois gols, ao longo da partida, o SPFC não encontrou o Audax

Apesar de ter encontrado dois gols, ao longo da partida, o SPFC não encontrou o Audax

O São Paulo, de Rogério Ceni, foi à Arena Barueri para estrear no Paulistão contra o Audax, de Fernando Diniz e voltou para a capital com uma goleada de 4 a 2 e a certeza que, no mundo do futebol, quatro linhas de cal separam o mundo das ideias da realidade.

Fernando Diniz, mais uma vez, demonstrou na prática, que as concepções de futebol podem ser ampliadas no Brasil. O Audax entrou em campo com as mesmas concepções que o levaram ao vice-campeonato paulista em 2016. E o resultado foi uma partida de encher os olhos de quem, muito além do resultado, gosta de futebol.

Aos 6 minutos do primeiro tempo, desencontro entre Maicon, Douglas e Buffarini, a bola sobrou na ponta direita para Marquinhos, que enfiou o pé e abriu o placar. O São Paulo tentou uma reação com Cueva, mas ficou nas mãos de Felipe Alves.

Três minutos depois, aos 9/1T, a partir de uma jogada construída (objeto de desejo de todos no futebol), a bola, de pé em pé, chegou em Ytalo que, dentro da área, tocou de calcanhar para deixar Pedro Carmona de cara para o gol e colocar nas redes.

Com menos de 10 minutos o placar já apontava 2 a 0 para o Audax, que fazia girar seus jogadores e a bola em campo, deixando o São Paulo tonto, perdido, atordoado. Em muitos momentos, parecia “bobinho”. A equipe corria, corria, mas a bola sempre estava em movimento constante. Fernando Diniz deu show de movimentação, sendo nítido que era tudo ensaiado, não fruto do acaso.

Diante da dinâmica do Audax, principalmente nos 25 primeiros minutos da partida, o São Paulo parecida um cachorro girando, tentando morder o próprio rabo.

Depois do segundo gol, quando tudo parecia caminhar para um massacre já na primeira etapa, eis que, aos 29/1T, Cueva na zona central do campo, percebeu o vacilo de marcação do sistema defensivo do Audax, encontrou Chavez na meia-lua. O centroavante recebeu a bola, ajeitou e bateu no canto direito de Felipe Alves. Quando menos se esperava, o São Paulo descontou.

O Audax sentiu. Recuou, deixou de jogar. E numa jogada parecida, aos 36/1T, mas agora com a bola lançada por Rodrigo Caio, Chavez recebeu na área e meteu para as redes. Empate injusto, considerando a enormidade que o Audax jogou.

O empate no primeiro tempo poderia dar um sopro ao Tricolor retomar a segunda etapa com uma mecânica diferente para interromper a força motriz de posse e toque de bola do Audax de Diniz. SQN.

Aos 9/2T, escanteio. Bola alçada na área e o zagueiro Felipe Rodrigues, meio que de qualquer jeito, tocou na bola, que foi parar nas redes, no canto direito de Sidão: 3 a 2.

Ceni fez três mudanças: Nem, machucado, por Cícero, que sumiu em campo. Chavez por Gilberto e o zagueiro Douglas por João Schmidt, recuando Rodrigo Caio para a zaga.

Novamente com o placar na frente, o Audax, que impressiona pela organização tática, dominou o Tricolor. Sem a posse de bola fechava-se em duas linhas de 4 e, quando recuperava a posse, abria-se como a um leque em um contra-ataque veloz, com muitos jogadores chegando à frente, e, sobretudo, mortal. Foi assim que sacramentou a goleada por 4 a 2.

Aos 28/2T, o Audax retomou uma bola em sua defesa, abriu-se em velocidade, em poucos segundos estava na grande área Tricolor, que voltou desorganizado, e Buffarini deu um “rodo” em Gabriel Leite. Pênalti: Pedro Carmona bateu e fechou o justo placar.

Diniz, como um maestro intenso, imerso em sua música, mesmo com o modesto Audax, que se desmontou do ano passado para cá, segue regendo um sistema de jogo dinâmico, compacto e ofensivo ao mesmo tempo, de aproximação, encantador.

Por outro lado, com a goleada de 4 a 2 e um vareio de bola em grande parte do jogo, ao final das contas, a torcida do São Paulo, que boicotou a partida devido ao valor de R$ 100 impostos por Vampeta, saiu no lucro em ter assistido em casa.

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Gesto transforma Atlético Nacional em Atlético Universal

Que a Conmebol não se perca na insensatez da burocracia

Que a Conmebol não se perca na insensatez da burocracia

Todos os códigos, insígnias, indumentárias, castas, títulos e outras classificações que o homem inventa para se distinguir uns dos outros perde o sentido quando o assunto é a vida.

A tragédia com a queda do avião da Chapecoense, prestes a disputar a final de um grande torneio internacional, vivendo a melhor fase de sua história, faz-nos despertar para a nossa fragilidade.

Infelizmente não há como mudar o tempo e o destino. No entanto, diante da tragédia, o homem reencontra-se em sua finitude, em sua bondade, em sua solidariedade, em sua essência tão distorcida por um mundo de valores que nos colocam a nos confrontar incessantemente.

Por isso, o gesto nobre e emocionante do Atlético Nacional, ao enviar um comunicado para a Conmebol abdicando do título da Sul-Americana, concedendo-a à Chapecoense, como forma de homenagem não só aos atletas e os profissionais, mas também o povo de Chapecó, extrapola as divisas da Colômbia, ganha continentes e os corações de todos os homens, formando o mundo inteiro um só clube, um só sentimento.

Há um relato sobre Alexandre, o Grande, que diante da morte, convocou seus generais e seu escriba para fazer três pedidos. Um dos pedidos era: “Que seja espalhado no caminho até o meu túmulo, todos os meus tesouros conquistados em minhas batalhas, quero ver o chão coberto de ouro, prata e pedras preciosas, para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem”.

O Atlético, da Colômbia, com gesto de conceder o título à Chapecoense, deixou de receber um pano chamado faixa e um metal moldado chamado troféu, porém, materializou o sentido da humanidade, deixando de ser Nacional para ser Universal.

#ForçaChape

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Em Brasil x Argentina não existe imparcialidade

Copa América 2004: Adriano Imperador empatou quando restava 30 segundos para o fim da partida

Copa América 2004: Adriano Imperador empatou quando restava 30 segundos para o fim da partida

Perdoem-me os puritanos, aqueles cronistas esportivos que dizem não possuir time de coração, como se tentando separar o corpo da alma, porque no Brasil, quando nascemos, antes mesmo de sermos registrados em cartório, o futebol já pulsa dentro de nós. Quando o assunto é Brasil versus Argentina, então, não há jornalista, blogueiro, cronista, comentarista, ex-jogador, narrador que são capazes de sustentar a tese da imparcialidade.

 

Argentina x Brasil na Copa de 78: jogo duro, violento, que entrou para a história como “A Batalha de Rosário”

Argentina x Brasil na Copa de 78: jogo duro, violento, que entrou para a história como “A Batalha de Rosário”

Nem o corporativismo das opiniões arraigado nos jornalistas esportivos, que todos os dias carregam a pedra de Sísifo em busca de estabelecer a Verdade, conseguem esconder que Brasil e Argentina faz emergir todos os sentimentos que os levaram a trabalhar com futebol.

Entenda a parcialidade como torcer descaradamente, não como uma apologia à distorção dos fatos. Não se defende o gol de mão de Tulio Maravilha contra os portenhos, nem ficaremos na expectativa por um pênalti roubado ou um gol impedido, mas, fingir indiferença num Brasil e Argentina? Isso não tem jeito.

Com as experiências da vida, pode-se até dissimular em algumas situações, mas, diante de um Brasil e Argentina é impossível posar de indiferente, e a gente se reveste de verde-e-amarelo nem que seja nas cores da cueca.

Esse, que para mim é o maior clássico mundial, considerando o equilíbrio absurdo entre vitórias e derrotas entre as seleções, mas sobretudo a atmosfera e os sentimentos inexplicáveis que se propagam nos casos de vitória, tem a capacidade de impregnar imagens que projetamos para o resto de nossas vidas.

Um exemplo?

Não dá para excluir da memória – nem da alma – aquela final de Copa América, em 2004, no Peru, em que Brasil e Argentina empatavam em 1 a 1 até os 42 minutos do segundo tempo, quando Delgado aproveitou um vacilo brasileiro fez o segundo, definhou nossos sonhos, tirando a nossa voz, fazendo-nos engolir a azeitona das empadinhas.

Quando tudo parecida decidido, com argentinos catimbando, passando o pé sobre a bola, tirando-nos sarro, eis que os espíritos dos clássicos se manifestaram. Restando 30 segundos para o relógio bater os 48 e encerrar a partida, lançaram uma bola na área, Luis Fabiano disputou no meio dos zaguerios, a bola sobrou para Adriano Imperador, que dominou, girou e enfiou o pé para romper o goleiro Abbondanzieri, empatar e levar a partida para os pênaltis.

E como todo Brasil x Argentina, para um lado ou para outro, nasce para tragédia, o goleiro Julio César defendeu os pênaltis de D´Alessandro e viu Heinze chutar nas alturas e, assim, o Brasil, levantar a taça, de uma forma que não se explica com a ciência, nem com estatísticas, nem com recursos eletrônicos.

 Muita gente não gosta do Galvão. Eu gosto, principalmente quando ele fala em rede nacional: “ganhar é muito bom, mas ganhar da Argentina é muuuito melhor”, como se numa voz de 200 milhões de pessoas mandando um recado para nossos “Hermanos”. Um troco diante do chiste na capa do Olé em que estamparam “Decime qué se siete”, depois de nossa ruína, no mesmo Mineirão de hoje à noite.

 

Capa do argentino Olé com nossos eternos 7 a 1

Capa do argentino Olé com nossos eternos 7 a 1

Como disse o Mestre Nelson Rodrigues, na crônica “Ai de nós”, “creia o leitor: – nas profundezas do cronista, ruge uma paixão imensa. Na hora do gol, nós, da tribuna de imprensa, só faltamos subir pelas paredes como uma lagartixa profissional. A meu ver, isso é a honestidade. Nada mais puro do que o sentimento sincero que leva a dar comoventes urros.”

O que dizer da partida de hoje, às 21h45, no Mineirão, entre Brasil e Argentina, em nosso estádio mito da caverna, dos 7 a 1 da Alemanha, quando descobrimos que nosso mundo das ideias da bola não correspondiam com o que se projetava em nossa mente?

Como todas as horas e horas de discussões, informações, notícias e análises se dissolvem no ar quando chega o momento dos palpites, em que a crônica nunca consegue prever o futuro, também não deixarei de expor o meu: 3 a 1 para nós! (rs).

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Dez anos depois, SPFC reencontra-se com o carrasco Rafael Sóbis

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No dia 9 de agosto de 2006, o São Paulo – então atual campeão do mundo – entrou em campo para disputar a primeira partida da final de Libertadores, contra o Internacional de Porto Alegre.

Mas foi diante de um Morumbi lotado, com 71.745 pagantes, que os tricolores paulistas assistiram a um show de Rafael Sóbis, que marcou os dois gols da vitória do Inter pelo placar final de 2 a 1, tornando muito difícil uma virada são-paulina, que disputaria a finalíssima no Olímpico.

A atuação de Sóbis, para o bem e para o mal, ficou impregnada na memória de são-paulinos e colorados. Despertou o êxtase de torcedores e até mesmo do narrador da Rádio Gaúcha, que enlouquece após ver o Inter marcar o segundo em pleno Morumbi.

Lá se vão pouco mais de 10 anos daquele fatídico dia para os são-paulinos. Porém, sendo a vida circular, eis que no momento em que a bola rolar na partida de hoje à noite, às 21 horas, no Morumbi, os tricolores reencontrarão com Rafael Sóbis, carrasco tricolor na Liberta 2016, que agora atua no atacante no celeste Cruzeiro.

Como um dia disse o poeta gaúcho Mário Quintana: “O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente…”

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O campeão voltou?

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O SPFC voltou a vencer no Brasileirão, em partida que superou o time do Figueirense pelo placar de 3 a 1. Essa foi a primeira vitória Tricolor sob o comando do técnico Ricardo Gomes.

O resultado deu uma tranquilizada nos ânimos e desconfianças. Após ter somado os 3 pontos, o SPFC ficou a quatro pontos da zona da degola.

Importante frisar que muita gente não só se tranquilizou, mas, infelizmente, também se empolgou. Muitos já indicam o início de um caminho mais leve, livre e solto do SPFC, inclusive com projeções positivas no campeonato.

O que não é sadio, ao meu modo de ver.

O ano não está sendo bacana. O Tricolor ainda vive um dos momentos mais instáveis de sua história e necessita, mais do que nunca, de um apoio de todos os torcedores. Não tem como fugir disso.

A empolgação precoce pode colocar tudo a perder.

Penso eu que, se os jogadores comprarem essa ideia, estaremos lascados. Essa é a grande verdade.

A vitória foi positiva, veio em um momento ideal, pois uma derrota iria ser uma catástrofe. Mas, ainda estamos muito aquém do que podemos, o SPFC sempre brilhou e vai começar a brilhar. Ontem, apenas foi acessa sua chama, 3 pontos conquistados que farão toda a diferença, não apenas no sentido matemático, mas no psicológico.

Então, temos que saber, vencemos a primeira batalha e temos fogo para vencer muitas outras. Basta que não entremos com salto alto.

A equipe não é a ideal, mas não é das piores.

Nossa batalha é árdua, como já disse. Mas, temos fé o suficiente para saber que a guerra vencida em outrora por 500, hoje será vencida por 11.

Aurelio Mendes – @amon78

 

Seleção: organização tática com o DNA de dribles

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Não é mera empolgação. É constatação. O placar de 2 a 1 sobre a Colômbia não reflete a tamanha superioridade da Seleção Brasileira de Tite, que fez um primeiro tempo intenso, organizado, arrasador.

Como futebol não é ciência exata, em jogada de bola parada, Marquinhos fez contra, mas isso não diminui o grande primeiro tempo da Seleção. Tanto que não há exagero em dizer que poderia ter virado os primeiros 45 vencendo por 3 ou 4 gols.

Como relata João Saldanha no livro Os subterrâneos do Futebol, o brasileiro nunca se calcou na organização tática. “Tática” mesmo era pegar 11 feras, distribuir o uniforme e deixar os craques, com seus talentos, desmontar esquemas táticos com um domínio de bola (passe) e dribles, muitos dribles.

Nem a extinta União Soviética, na Copa 58, com seu futebol científico conseguiu entender e muito menos barrar o talento brasileiro. Naquela partida, então, Garrincha – uma das sínteses de nossa identidade –  entortou conceitos e trançou as pernas dos soviéticos. (assista ao vídeo abaixo sobre a partida entre Brasil x URSS)

 

Mas, sendo o mundo uma bola e a história dinâmica, o tempo passou, os homens mudaram e, consequentemente, o futebol também.

Na carência de tantos talentos como no Brasil, as outras seleções começaram a investir pesado na formação, na preparação, no condicionamento físico, na força, para ocupar espaços e fazer o time jogar em bloco, coletivamente.

Se não tinham um Pelé, Garrincha, Tostão, Rivelino, Ronaldo, Ronaldinho, Romário para desequilibrar, passaram então a vencer no coletivo. Exemplos  destes conceito se deram com o Barcelona de Guardiola e a Alemanha da Copa de 2014.

Diante de um novo jeito de compreender e praticar o futebol, o dilema brasileiro passou a ser a busca pelo equilíbrio entre organização tática e a preservação do DNA, do drible, oriundo do talento, que sempre desmontou esquemas táticos e o tal futebol científico.

Atordoado depois de umas bordoadas nos placares, o futebol brasileiro entrou em crise existencial. Só o talento, sem organização tática não era mais suficiente para quebrar a força coletiva. E só a organização tática, sem espaço para os dribles, tornavam-nos comuns.

Nesse ponto em que Tite converge. Não só pelas duas partidas à frente da Seleção, mas por todo trabalho desenvolvido nos últimos cinco anos. Tite, num movimento antropofágico, compreendeu, assimilou os novos conceitos e modelos e organização europeus, mas teve o mérito de não simplesmente os reproduzirem, como se tentando encaixar uma esfera num quadrado.

A originalidade do brasileiro, seja na literatura, na música, nas artes é justamente a fusão dos modelos europeus às nossas características. Deste modo, Tite compreendeu o conceito coletivo de organização, não como solução final, mas como base para que o talento dos dribles – a nossa principal identidade que tanto falam – pudessem aparecer.

Contra a Colômbia, o Brasil trocou uma infinidade de passes, não deu espaço para o adversário jogar, recuperou a bola com extrema rapidez, fez os meio-campistas (não mais volantes) marcarem e chegarem à frente, os atacantes oscilarem com liberdade e uma recomposição defensiva muito eficiente. Apenas colocaria Lucas Lima no lugar de Paulinho e, como ficou evidente, Coutinho em vez de William.

Esse é o modo novo de jogar e preservar o nosso DNA da bola.

É evidente que tropeços virão. Ainda mais que o assunto é futebol. No entanto, é inegável que começa a despontar um caminho.

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Futebol Brasileiro: colonial, monárquico ou democrático?

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Há 194 anos, em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I foi às margens do Ipiranga declarou a independência do Brasil em relação à condição colonial da Coroa Portuguesa.

A partir de 1822 o Brasil transformou-se de Colônia em Império. A condição monárquica implantou uma linhagem, com direito à sucessão sanguínea, perdurando até 1889, quando se verticalizou a República, que de fato só “acabou” com os títulos de nobreza, mas manteve uma elite no poder.

O poder é plástico e molda-se conforme os acontecimentos para a preservação dos privilégios. Nos clubes de futebol, que são estruturas políticas e verdadeiras nações que congregam milhões, ainda que tenham nascidos sob a ordem republicana, até que ponto não são regidos de forma monárquica?

No campo da teoria, tudo é democracia. Porém, há tantos entraves, vírgulas, estatutos, regulamentos, carimbos e alíneas para participar das decisões que se chega à conclusão prática de que a possibilidade existe, mas as chances são quase nulas.

Para ilustrar a condição monárquica dos dirigentes basta fazer um recorte histórico das últimas três décadas, com os nomes das diretorias dos principais clubes de futebol do Brasil para demonstrar que apesar de não existir sucessão sanguínea, há uma circularidade dos mesmos nomes, que se alternam no poder. Uma monarquia branca, velada.

O futebol brasileiro é realmente estrutura a parte da sociedade. Objeto de estudo, pois consegue conciliar vários regimes em um só: é colonial quando vende seus craques para o exterior, é monárquico quanto à administração, e democrático nas plataformas e nos discursos dos dirigentes.

Tanto na formação do país quanto na estrutura de poder dos clubes de futebol, o povo continua à margem do riacho do sistema, assistindo bestializado a dinâmica dos acontecimentos.

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Não haverá brilho maior que Thiago Braz

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Saltar acima de 6 metros e 3 centímetros já grita por si, no entanto, quando se contextualiza o feito de Thiago Braz à realidade de nosso país, que não oferece condições dignas para os cidadãos e, consequentemente, para a formação de atletas, não haverá brilho maior que a do garoto de Marília (SP).

A comparação e a dimensão do feito de Thiago se estabelece entre mortais, não com Phelps ou Bolt, que são de outro planeta. Nascido em um país em que esporte é sinônimo de futebol, o salto de Thiago Braz colocou 1000 centímetros de exclamações e interrogações em nossos corações. E arrancou lágrimas.

Quando a marca atingiu 5,93 metros, melhor marca do brasileiro na vida, o empinado francês pensou que ali era o limite do ouro. Mas o garoto igualou sua melhor posição. Ele queria mais.

Renaud Lavillenie, incrédulo, partiu para os mesários, logo apontou uma nova marca e na sequência superou 5,98 metros para acabar logo com a festa, para calar o Engenhão.

Diante da nova altura, Thiago não poderia sequer igualar a marca de 5,98, pois o francês levava no critério de desempate. Gigante, então, o garoto andou em direção aos mesários e pediu que colocassem 10 centímetros a mais de sua melhor marca na carreira: 6,03 metros.

E Thiago Braz correu como nunca, ficou de ponta cabeça, envergou-se e saltou para ultrapassar seis metros e três centímetros, conquistar o mundo e estabelecer novo recorde olímpico.Impertinente, inconformado, o francês partiu para 6,08, mas não conseguiu superar a marca e a superação do gigante menino do Brasil.

O Brasil poderá conquistar outras medalhas de ouro, porém, Thiago Braz brilhou como nunca ninguém ousou imaginar. Merece ser reverenciado e lembrado em um país em que até a memória é falha.

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Fogão vence e acende o alerta vermelho no Morumbi

São Paulo teve mais posse de bola, mas, no futebol, vence que marca

São Paulo teve mais posse de bola, mas, no futebol, vence que marca

A tarde não foi nada fácil para quem assistiu à partida entre Botafogo e São Paulo no Morumbi. Com dois times armados com três volantes, o tempo parecia se arrastar enfadonhamente até aos 47 do segundo tempo, quando o lateral Diogo passou por Buffarini, avançou pela esquerda, cruzou rasteiro na área, a zaga tricolor dormiu e Sassá entrou livre, tranquilo para colocar a bola pra dentro e decretar a vitória do Botafogo.

O São Paulo teve maioria de posse de bola, fato que não refletiu intensidade, mas um time lento na troca de passes, pouco criativo e sem capacidade de finalizar. Jogo bom para o Botafogo, que chegou a São Paulo com a proposta de se fechar e tentar uma jogada de contra-ataque. E deu certo.

Sem um “camisa 10” desde a saída de Ganso para o Sevilla e Lucas Fernandes machucado, Jardine novamente teve de improvisar o meio de campo com João Schmidt fixo, Thiago Mendes caindo pela esquerda e Hudson mais avançado pela direita. O time marcou bem, ficou com posse de bola, mas não conseguia criar.

As melhores oportunidades do São Paulo aconteceram no primeiro tempo e quase todas passaram pelos pés do lateral direito Buffarini, que, apesar da passagem de Diogo no gol do Bota, fez uma excelente partida, chegando muito ao ataque.

Isolado no ataque devido à falta de conexão do meio com a frente, Chavez ainda teve duas boas chances de marcar, mas faltou pontaria. No mais, o São Paulo pouco chegou com grande perigo.

Já no segundo tempo, com o São Paulo ainda mais lento, Jardine tentou dar um gás contra o Fogão, tirando Hudson do meio campo para a entrada do jovem atacante Luiz Araújo. Com a entrada do garoto, o Tricolor ficou com dois volantes, assim Thiago Mendes recuou para montar dupla com João Schimdt, Luiz Araújo abriu na esquerda e Cueva passou jogar mais centralizado, mas com liberdade para cair por ambos os lados.

O técnico Jair Ventura, substituto de Ricardo Gomes, que por ironia do destino assumirá o Tricolor, tirou Canales para a entrada de Sassá, tirou o volante Bruno para a entrada de outro atacante, Rodrigo Pimpão.

Os dois times passaram de três para dois volantes, tentaram abrir a partida, mas os dois não reagiram, salvo raros lampejos de ambas as partes. Foi uma partida dura de assistir.

Quando tudo parecia ficar mesmo em um empate chato, de pouco futebol, sem intensidade, eis que, aos 47 minutos, nos acréscimos para o final da partida, o “Sobrenatural de Almeida” entrou em campo e encarnou no lateral Diogo do Fogão, que passou por Buffarini, foi à linha de fundo, cruzou rasteiro e ficou assistindo a zaga do São Paulo vacilar e Sassá empurrar para as redes.

Na estreia do returno, o São Paulo mostrou-se um time lento, sem criatividade e sem capacidade de finalização. O Fogão aproveitou uma bola, venceu e acendeu o alerta vermelho no Morumbi.

Ricardo Gomes encontrará o mesmo elenco que Bauza e Jardine contaram, agora caberá ao novo comandante reinventar o Tricolor que tem poucas peças no plantel e ausência de posições importantes para a formação de um time.

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SPFC 1×2 Atl-MG: Galo forte e virador

No Morumbi, Victor fechou o gol contra o São Paulo

No Morumbi, Victor fechou o gol contra o São Paulo

A derrota do São Paulo por 2 a 1 para o Atlético Mineiro marcou a última partida de Bauza à frente do Tricolor. O início da partida até pareceu que seria uma despedida em tom festivo quando, aos 2 minutos, Rafael Carioca tentou afastar de cabeça e a bola, no meio de campo, sobrou para Chavez, que viu Victor adiantado, enfiou o pé e marcou um golaço.

Jogando no Morumbi, o São Paulo marcava em cima e coloca pressão no Galo, mas não demorou muito para que a vontade cedesse lugar às deficiências sistemáticas da equipe.

Minutos depois, aos 10/1T, Fábio Santos avançou pela ala esquerda, e encontrou Fred,  dentro da grande área. A defesa Tricolor pendeu toda para o lado do atacante atleticano, que enxergou Maicosuel do outro lado, com liberdade para bater cruzado e empatar a partida.

O São Paulo reiniciou a partida tentando se impor sobre o Atlético, mas foi a Atlético que, aos 19/1T pegou uma bola no meio campo com Maicosuel, avançou, tocou para Pratto à frente da meia-lua, o atacante argentino deu um corte em Buffarini que deixou o lateral no chão, e bateu no ângulo esquerdo de Denis.

Com apenas 19 minutos de partida o Atlético virava para cima do São Paulo, dominando o São Paulo, que perdia a força com o passar do tempo e não conseguia articular uma jogada com Wesley atuando como meia-armador, sumido na partida, sem marcar nem articular jogadas, quase sem tocar na bola. Estava mais fácil achar um pokemón no gramado do Morumbi que encontrar Wesley dentro de campo.

O Tricolor só apresentou perigo em mais dois momentos: aos 28/1T, quando uma bola foi alçada na área, cruzou toda extensão atleticana e sobrou para Michel Bastos bater para Victor fazer a primeira de muitas grandes defesas na partida. Depois só deu Galo. E as 43, novamente com Michel Bastos cobrando falta que Victor tirou.

O Galo forte e virador mandava na rinha do Morumbi. Aos 46/1T, Robinho, na esquerda, cruzou para o meio da área do São Paulo, Fred, atrás de Maicon, meteu a cabeça e marcou o terceiro. Erroneamente, o bandeira assinalou impedimento.

Galo forte e virador cozinhou o São Paulo (ilustra Sander)

Galo forte e virador cozinhou o São Paulo (ilustra Sander)

 

No segundo tempo, com a vantagem no placar, Marcelo Oliveira armou o Atlético num 4-1-4-1 para segurar o resultado. Recuado o Atlético, só deu São Paulo, que perdendo só tinha a opção de partir para o ataque.

Bauza, no mesmo desespero que acabou dando certo contra a Chapecoense, tirou o inexpressivo Wesley, um volante, dando lugar a Luiz Araújo, Pedro e Daniel.

O Tricolor passou a criar algumas oportunidades. Porém, por mais pressão que se tenha colocado sobre o Atlético em toda segunda etapa, o São Paulo esbarrou em duas coisas: na ausência de bola para construir jogadas além da vontade e no goleiro Victor, que realizou mais três milagres.

Não havia mais tempo e mesmo que a partida durasse 120 minutos parecia que o São Paulo não furaria o bloqueio defensivo atleticano e o goleiro Victor.

Fim de partida. Fim do ciclo Patón no São Paulo, que agora será comandado por Jardine com a dura missão de compactar a equipe que deixa clareiras no meio-campo e não possui um articulador para interligar o centro com o ataque.

Considerando o contexto em que Bauza chegou em meio a um turbilhão político, clube com salários atrasados, sem dinheiro para contratação, sem dúvida o técnico foi importante para fazer o melhor com o que se tinha em mãos e chegou até longe de mais.

No entanto, as partidas do Brasileirão expuseram que o Tricolor é um clube com grandes deficiências técnicas e táticas e que precisará tirar uma nova identidade com a saída de Patón.

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